sexta-feira, 20 de abril de 2012

receita de sexta: começou.

Foto: Ricardo Basto / JC Imagem
O final de semana começou ontem no show de Chico Buarque. Já tive a oportunidade de ver Chico ao vivo na turnê do disco Carioca, mas ontem a experiência foi bem peculiar. Diferente da última turnê, o primeiro show no Recife não foi repleto de sucessos e músicas de grande apelo popular, o que fez bem ao espetáculo e o público local não teve muito espaço para entoar seus gogós histéricos.

Confesso que sou um cara meio chato pra esse tipo de coisa. Não curto esse clima de devoção e super fã e acho que Recife está em primeiro lugar nesse quesito. Mas, voltando ao show, como falei antes, esse tipo de reação não teve muito espaço e o público até que se comportou melhor do que eu imaginava.

Com a categoria de um camisa 10 dos anos 70, Chico comandou seu time de craques com aquela timidez de sempre e nenhuma conversinha com o público. O entrosamento impecável dos músicos faz você prestar atenção em cada detalhe do arranjo, da harmonia, do silêncio. Precisamos respeitar o silêncio musical. Ele não foi feito para as palmas ou gritos de "lindooooo". Nisso, Recife é craque.

Pra mim, o momento auge do show foi quando o baterista-figura Wilson das Neves levantou do seu banquinho para cantar junto com Chico o samba Sou eu e Tereza da praia (Tom Jobim e Billy Blanco). Um momento de amizade explícita e cativante. Esperava ainda que eles ainda cantassem o samba Grande Hotel do disco Carioca, mas fiquei na vontade.

Hoje, a farra continua, e é um prato cheio para os órfãos de Los Hermanos perderem a voz entre gritos e chororôs. Minha dica é que vocês prestem atenção no show de Tibério Azul, uma música cotidiana e sem frescura, daquela que fica na sua cabeça sem precisar que a televisão bombardeie você com "tche tchererês". Indico demais.

Já amanhã, amigos, é hora da cidade contemplar o maior artista vivo da música pop: o velho Paul. Mas isso eu só vou poder comentar na semana que vem.

5 comentários:

  1. Ansiosa pelos 2 shows de hoje: Los Hermanos e Tibério. O ruim é saber que gritinhos histéricos e desesperados vão nos impedir de ouvir decentemente o som massa desses músicos. O público de Recife me dá vergonha alheia, total. Não sabem apreciar bons shows, querem mostrar loucamente que sabem as letras e sua devoção descabida pelos artistas. Uma pena.

    ResponderExcluir

Ocorreu um erro neste gadget