segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

RECEITAS DE MODA: PERNAMBUCÁLIA

Referência no mercado editorial de moda, a revista MAG sempre aborda temas nada óbvios. Em especial, este mês, em que o tema da revista é PERNAMBUCO.
A edição #29 fala da nossa cultura, desde a música até a gastronomia sem cair em esteriótipos e temas clichês.
Para guardar e se orgulhar.

Leitura obrigatória!

Release da revista no site ffwMAG:

Pernambuco é um estado ímpar a começar pela distribuição de seu território. Está encrustado entre os estados do Ceará, Paraíba, Alagoas, Piauí e, por pouco, Sergipe. É banhado pelo Oceano Atlântico numa pequena e poderosa faixa de terra que abriga duas das cidades mais lindas e importantes da região: Recife e Olinda. É cortado por muitos rios bem servidos de água e paisagens, como o Capibaribe e o São Francisco, e foi em sua capital que surgiu a Capitania de Pernambuco, que dividiu a grande mãe Brasil no período colonial. O domínio holandês a partir de 1630 encheu ainda mais de DNA europeu o sangue do pernambucano, já banhado pelos povos indígenas, africanos e, claro, o português. Recife foi agraciada com grandes obras de infraestrutura e o resultado ainda pode ser visto nos lindos palacetes e pontes, símbolos da cidade. A Insurreição Pernambucana iniciada em 1645, com ajuda dos negros e índios, restabeleceu a ordem antiga e o estado seguiu seu curso na história do país cozinhando a cultura em um grande caldeirão de influências que hoje, com o rompimento das fronteiras graças à tecnologia, se faz ouvir com mais clareza, principalmente pela música, arte e artesanato. 2011: pois foi surgir a ideia de homenagear Pernambuco com uma edição de ffwMAG! que um livro pesado, daqueles que é preciso ter fome de curiosidade, caiu em nossas mãos. E começamos muito bem porque o Dicionário da Diversidade Cultural Pernambucana, do historiador Adriano Marcena, nos fez reforçar a lição de que a construção daquele pedaço de terra no Nordeste quente, mas nem tão seco assim, se deu pelo viés da política, da economia e do pensamento intelectual, estético, filosófico e artístico, sobretudo pela capacidade de reinvenção de seu patrimônio simbólico. Vem de várias partes do mundo as influências da arte pernambucana, da mais folclórica a mais moderna: França, Ásia, Portugal, Inglaterra, Holanda e, claro, o tripé ameríndios, ibéricos e africanos. A música, claro, foi um dos temas indiscutíveis na edição. Naná Vasconcelos, um de nossos entrevistados na matéria que mostra a diversidade e a inventividade da música pernambucana, foi genial ao nos lembrar que, na Pernambuco de outrora, a pluralidade da música veio da África que se encontrou pela primeira vez no Brasil. Foram diferentes etnias influenciando seu povo: o berimbau de um local, a capoeira do outro, e por aí foi. O samba, diz o inventor de sons Naná, é o resultado destes encontros todos. Duas equipes armadas de gravadores e câmeras fotográficas se dividiram entre Recife e Olinda e o agreste, onde estão cidades como Caruaru, com sua feira babilônica, e o vilarejo do Alto do Moura, onde brotou a arte de esculpir objetos a partir do barro. Pernambuco, chegamos à conclusão, é um estado bruto que produz arte legitimamente brasileira, mesmo que influenciada pelos modernismos internacionais e do Sudeste brasileiro, como aconteceu com o manguebeat de Chico Science e Nação Zumbi. A moda, dividida nesta edição em três ensaios, presta homenagem aos caboclos de lança do maracatu, aos poetas de rua e seus estandartes e aos grandiosos bonecos de Olinda, que ganharam roupas especiais criadas por alguns dos estilistas mais importantes do Brasil. A poesia de cordel pela ótica do grande poeta J. Borges, a arte de criar mamulengos, as fantasias mais surreais dos foliões do Carnaval pernambucano e a arte do repente também não podiam faltar aqui. E pensando no futuro, porque o estado também olha à frente, surge na entrevista com o pesquisador Silvio Meira, que preside o Porto Digital do Recife, sinônimo de inovação no país, e com o artigo sobre três artistas plásticos da nova geração que estão colocando Pernambuco no mapa da arte internacional. Caberia um mundo nesta edição, já que de Pernambuco saíram grandes figuras como Cícero Dias, João Cabral, Manuel Bandeira, Gilberto Freyre etc etc etc, mas nos sentimos satisfeitos com o resultado de mais uma edição de ffwMAG! que mostra uma cidade brasileira. Paulo Borges, Publisher.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ocorreu um erro neste gadget